segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pelas ruas que andei


Já andei alguns bons quilômetros por ruas periféricas e centrais de várias cidades brasileiras, das mais conturbadas, famosas e lotadas até aquelas mais vazias, calmas e menos conhecidas. E desde muito antes de entender e saber trabalhar numa cozinha e ter estudado outro tanto sobre os perigos da falta de cuidado com a higiene e manipulação de alimentos e até mesmo desde antes de me tornar um trabalhador e ser apresentado ao mundo real como office-boy, já era um viciado em comidinhas de rua. Quando as espinhas ainda purulavam em meu rosto, muito pouca coisa se procurava e se comprava em mercados e os supermercados ainda nem haviam chegado por aqui. Praticamente tudo o que se comia era comprado em feiras, desde as frescas massas caseiras, passando por todas aquelas latas de bolachas até todas as frutas e legumes. E diga-se que nos meus arquivos memoriais, tudo com muita qualidade e sabor. Eu ajudava minha vovó carregando as sacolas ou puxando o carrinho, num misto de obrigação e satisfação. Mas o ponto alto dessas manhãs era o final triunfal, a parada e o descanso na barraca dos deliciosos, cheirosos, bem recheados, suculentos pastéis da Dona Keiko e do Seu Kasuhiro. Meu Deus o que era aquilo, fosse qual fosse o sabor e sempre na companhia daquele maravilhoso vinagrete especial com repolho. Reminiscências... Pois desde então já estacionei em alguma calçada para um churro recheado, um espetinho de camarão, um porquinho (o peixe) bem fritinho e crocante, um pernil na chapa bem acebolado (na porta do estádio), um infantil quebra-queixo, uma colorida maçã do amor, uma saborosa queijadinha, etc, etc, etc. Muito do verdadeiro sabor de povo esta disponível pelas calçadas e esquinas do Brasil e mundo afora, o que é ir a Salvador e não comer um acarajé na rua, ir a João Pessoa e não saborear uma tapioca na feirinha das tapioqueiras, ir a Belém e não tomar um tacacá, em São Luiz seu popularíssimo açaí salgado. E muitos outros sabores e belas surpresas. Não deixe o preconceito atrapalhar suas descobertas, há muita vida além das mesas estabelecidas. A foto é no Afeganistão, e de alguma comidinha que ainda não descobri.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

19 Toneladas


19 toneladas, 15 toneladas, 270 toneladas. Esses números gigantescos e também absurdos se referem a quantidade de agrotóxicos ilegais apreendidos no país apenas nos últimos 12 meses. Se os números se referem apenas aos ilegais, imagine a quantidade total de agrotóxicos que são usadas em nossa agricultura tradicional. Tenho plena consciência de quanto sofrem os produtores rurais com a falta de incentivo e de linhas de crédito para o custeio da produção e também de como é muito mais simples e fácil para esses produtores simplesmente espalhar o veneno pelo campo ao invés de ir atrás de capacitação e do conhecimento necessário para aumentar a produção sem o uso indiscriminado desses mesmos venenos. É uma mudança difícil e que exige muita vontade e determinação. Mas muito dessa mudança também depende de nós como cidadãos e como consumidores e até já entrei nesse assunto anteriormente. Como cidadãos podemos através do voto mudar um pouco da cara dessa vocífera, insipiente e devastadora bancada ruralista, formada na absoluta maioria por latifundiários preocupados exclusivamente com o lucro a qualquer preço, sem se importar com a derrubada de matas virgens e a contínua contaminação de solo e água. Como consumidores temos que aderir definitivamente aos orgânicos, são muitas feiras de pequenos produtores espalhadas por esse imenso Brasil que comercializam exclusivamente produtos orgânicos, tudo bem que o preço ainda não o ideal, mas quanto mais consumirmos, mais acessível ele ficará. Diga sim aos orgânicos, à saúde e ao sabor. Por você e por todos nós.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Caviar na Cueca


Os impostos que incidem sobre os alimentos e produtos industrializados são incrivelmente absurdos. O valor final da mercadoria chega a ser até 2, 3 vezes maior que o preço real sem o imposto, seja qual mercadoria for, do quilo de açúcar ao carro zero. As câmaras de dirigentes lojistas realizam em shoppings de muitas capitais, pequenas feiras que vendem produtos cedidos pelas próprias lojas, pelo preço sem o imposto, uma forma de mostrar ao consumidor final que o imposto na maioria da vezes é muito maior do que a margem de lucro dos comerciantes. Quando se trata de importados então, os preços são hipervalorizados. Sem contar o fato que muitos insumos simplesmente não são encontrados, pois devido a baixa procura, ninguém tem o interesse de enfrentar toda a burocracia para trazê-los até nós. E quem os traz, faz o preço, pois não há similares nem concorrentes. Isso nos leva até o problema abordado em uma ótima reportagem produzida pela Folha; a importação ilegal feita pelos próprios chefs ou restaurantes. São as pequenas e potentes trufas, o longínquo caviar, o inigualável presunto de Parma, as deliciosas chouriças portuguesas e espanholas e até delicados temperos que nem são tão caros assim, mas simplesmente não exstem aqui. O que fazer? Pagar o preço superfaturado e repassá-lo ao cliente ou arriscar o pescoço e trazer na mala para poder ter um preço final menos assustador para os padrões nacionais. Leia antes que cometa um crime.

domingo, 8 de novembro de 2009

Comida de Inspiração


Seus quadros foram e são tachados por muitos especialistas de bizarros, mas Arcimboldo nascido em Milão lá no século XVI, renasceu pelas mãos dos Surrealistas, Salvador Dalí entre eles, no início do século XX. Seu inconfundível trabalho também já serviu de fonte inspiradora para no mínimo dois interessantes romances ficcionais; o primeiro é 2666 do autor chileno Roberto Bolaños, obra literária que tem um personagem nominado propositalmente de Arcimboldi, e que foi ganhadora em 2008 do National Book Critics Circle Award; o segundo chama-se The Coming of Vertumnus, publicado em 1994, e que faz parte da obra do prolífero escritor britânico de ficção científica Ian Watson, autor que também teve uma obra adaptada para o cinema, A.I. - Inteligência Artificial, melancólico filme do diretor Steven Spielberg. Arcimboldo ainda é um ícone para o trabalho alimentício-criativo do já postado aqui, Vik Muniz. A tela acima intitula-se Verão e pertence a sua mais conhecida série intitulada As Quatro Estações. Um viva para a comida, para as ficções científicas e para a criatividade. Dois vivas para os diferentes.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fórmula


Será que é isso?
Pode até não ser, talvez ainda falte algum ingrediente nessa fórmula, mas ela quase resolve o enigma de como conseguir reger um esquadrão que trabalhe unido, aguente bem o calor e a pressão, e ainda consiga continuamente, dia após dia e noite após noite, entregar em um tempo satisfatório, um prato como prometido no menu. O que significa na maioria das vezes: bonito, saboroso e na temperatura adequada. Nem todos tem o perfil adequado, mas depois de três anos pagando a mensalidade de um curso superior que na maioria das vezes é maior do que o salário da grande maioria que atua na área, é dificil de entender e explicar. Parabéns aos que conseguem entrar na profissão, ser competentes, fazer sucesso e ainda assim, se manter humanos.

+ informações na imagem.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Comida Para os Vivos e os Mortos


Muitas religiões, tradições, crenças e crendices apreciam e cultivam o fato de se ofecerecer aos mortos algum tipo de alimento, seja ele crú ou cozido, raro ou popular, monocromático ou colorido. Desde os rituais orientais silenciosos com fotos e a fumacinha aromática do senko até os festivos latino americanos do Dia De Los Muertos, a oferta de alimentos é extremamente signicativa e simbólica, e fora o desperdício e alguns exageros, gosto desse papel do alimento como um meio de ligação com um rico passado e como um tipo de satisfação não biológica. Como fotógrafo sempre tive muitos amigos latinos (principalmente peruanos e mexicanos) que fotografavam não só enterros, como pessoas já mortas em cenas que muitas das vezes eram especialmente montadas para o fotógrafo, é muito comum para eles. Nós da américa não espanhola ainda temos uma relação muito difícil com nossas perdas e a aceitação da finitude humana, temos um rancor e um medo que talvez nos consuma mais do que o necessário. Hoje, como cozinheiro e no Dia deFinados, ofereço um alimento que não precisou da minha interferência para ser belo e suculento, ao maior número de comensais possíveis, aos que conheci e admirei e aqueles que infelizmente não tive essa opção. Inclusive os irracionais. Salve Saudade!

Boas!

domingo, 1 de novembro de 2009

Comida de Domingo


Quantos docinhos bonitinhos você já encontrou, principalmente nas modernas festas de casamento, que eram lindos, coloridos, criativos, mas tinham um sabor absolutamente horrível. Muitas vezes. até o personagem principal da festa (não humano), os enormes e maravilhosos bolos, são intragáveis. Há um tempo atrás, quando os docinhos eram sempre os mesmos clássicos e gostosos e os bolos não conheciam a pasta americana, era dificil não sair das festas empanturrado e até com alguns exemplares nos bolsos de algumas crianças. Agora, um pensamento de domingo me percorre, será prefrível contentar e saciar as lindas papilas gustativas ou os curiosos olhos. Os convidados reclamariam mais pela falta de sabor ou pela falta de orinalidade. São questões para muitos aniversários, casamentos, .... Confesso que sempre fui mais da turma do sabor, mas esse rapaz aí de cima ficou muito bonito e parecido com o original, se não for gostoso pelo menos durante um tempo serve de enfeite. Adorei.
Boas!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tudo por Elas


"Presentes principalmente na língua, mas também em menor número no céu da boca e na garganta, são responsáveis pelo reconhecimento do sabor das diferentes substâncias. São elevações do epitélio oral e lâmina própria da língua. Existem quatro tipos, com diferentes formas e funções: fungiformes, foliáceas, circunvaladas e filiformes."
Amargo ou Doce ou Ácido ou Salgado ou Picante ou...
Elas nos indicam o que vai em nossa boca, nos ajudam, se gostamos ou se destestamos. Todo nosso alimento tem que passar por elas, seja por fome ou por prazer. Aliás, muito prazer a uma papila gustativa. Linda, não?
Boas!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Suco de Açai


Eu, assim como o JUCA, também tomo suco de açai esperando o Carlos Arthur Nuzman cair.
Boas!

domingo, 11 de outubro de 2009

Comida de Domingo



Che - A Imagem, O Mito, A Comida ou A Arte
Comida pode ser Arte, Arte pode ser Comida?
Boas!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pérolas aos Poucos



"No Brasil, o queijo associou-se formalmente aos doces, ainda espanto na Europa quando um brasileiro alude saudosamente ao companheiro do queijo, servido sozinho, com vinho tinto. Queijo e bananas tornaram-se prato "nacional", tão comum e regular que von Martius admirava-se de sua ausência no Belém do Pará de 1819: - "Ao contrário das províncias do Sul, aqui quase não se come a banana com o queijo nacional, alimento tão agradável, quanto adequado ao clima". Apenas mineiros e sertanejos nordestinos, do ciclo pastoril, comem o queijo solitário. Melhor dizer, comiam, porque de muitos anos para cá, o queijo pede complemento direto e não pode constituir oração completa. Há mesmo o mineiro com botas, goiabada, queijo e bananas. Mas no sertão o queijo era, quase sempre, assado e, nas fazendas de fortuna mediana em diante, saboreado com farofa de ovos duros, sal, manteiga da terra, meio insossa. O estrangeiro ainda pode comer o queijo e depois beber o copo de vinho. Um bom brasileiro jamais o fará. Essa presença do queijo ralado em doces, sopas, massas de farinha de trigo, não é portuguesa, e não podia ter vindo de indígenas e negros africanos, desconhecedores do queijo. Até prova expressa em contrário, devemo-la ao italiano."

Câmara Cascudo
História da Alimentação no Brasil
Boas!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Comida de Cobaia

Que não é o que não pode ser. Que não é o que não pode ser. Que não é o que não pode ser que não é. Ser que não é...

Em terras tupiniquins o que ocuparia o lugar do marshmallow?

Boas!

domingo, 4 de outubro de 2009

Comida de Domingo


Comida pode ser Arte? Arte pode ser Comida?
Boas!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De Novo



Mais três sobre o assunto anterior:

-Um livro foi fundamental para a mudança de procedimentos tanto na criação como na hora do sacrifício dos animais. Ele inspirou a Convenção Européia para a Proteção Animal e chama-se "Animal Machines" da britânica Ruth Harrison, e é de 1964.

-São conhecidas duas doenças que afetam os animais que são mortos de maneira cruel, a soma do estresse, da dor e da carga genética acabam por comprometer quase que totalmente o valor comercial da carne. Nos porcos é a PSE, que torna a carne mole e pálida pois perde a capacidade de renter líquidos. Nos bois é a DFD que deixa a carne dura e escura.

-Um grupo italiano de defesa dos direitos dos animais quer proibir a exibição do novo filme de Giuseppe Tornatore, "Baaria", dentro da Itália devido a uma cena em que um touro é sacrificado de maneira muito cruel. Já assisti alguns filmes que abordavam o assunto seriamente ou simplesmente mostravam as cenas para chocar o público. A produção do filme se defende dizendo que a cena não foi criada, mas gravada num matadouro na Tunísia. A decisão do boicote deve ser do público ou deve haver uma proibição da justiça?

Esse assunto foi tratado na Folha do último domingo, uma matéria muito esclarecedora com excelentes fotos um tanto reveladoras. Como fotógrafo já visitei muitas criações de frangos, porcos e bois, mas nunca tive a oportunidade de entrar em um abatedouro, é um área de muito difícil acesso e mesmo com o aval de uma escola federal de gastronomia, nenhuma porta se abriu.
O que não se vê...não se entende.

Boas!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Comida com Números


Para encher o prato nosso de cada dia precisamos sacrificar muitos e muitos animais e nem todos são criados ou sacrificados como deveriam, além disso temos a poluição ambiental causada pela falta de capacitação e educação de muitos de nossos criadores e matadouros. Mas em alguns lugares desse nosso imenso País algo está mudando, a cobrança por melhores condições aos animais que nos servirão de alimento está ficando cada vez maior, seja pela vontade de exportação dos grandes frigoríficos para mercados mais exigentes ou mesmo por uma conscientização dos novos consumidores locais exigindo mudanças, muitos procedimentos estão sendo revistos. E não é porque muitos de nós humanos comem e adoram carne que devemos estimular sádicos ou até não se importar com métodos cruéis nas fazendas e sítios ou nos frigoríficos. A maior das questões é que o número de bocas a ser alimentada aumenta dia a dia, e isso pode acabar sufocando as cidades, os estados, os países e o planeta. Que tal se cada um der uma ajuda e dimuirmos um pouco nosso ímpeto de saborear as deliciosas proteínas animais, deixando-as somente para o fim de semana ou alternando os dias da semana em que elas entram no menu. Podemos também optar pelas marcas que se comprometem com o bem estar dos animais e com nosso futuro, principalmente os pequenos produtores e cooperativas. E não podemos esquecer que também somos campeões mundiais no uso de agrotóxicos e por isso devemos incentivar cada vez mais o plantio e consumo dos orgânicos, lembrando que quanto mais comprarmos, mais o seu preço de venda tende a cair.
Nosso consumo:
_40 milhões de bovinos
_30 milhões de suínos – 70% para consumo local - 14 quilos por ano per capta
_4 a 5 bilhões de frangos - 80% para o consumo o local - 42 quilos por ano per capta

Boas!

domingo, 27 de setembro de 2009

Comida de Domingo



Mona Lisa por ©Vik Muniz

Arte pode ser Comida? Comida pode ser Arte?
Versão com Geléia ou Pasta de Amendoim?

Boas!

sábado, 26 de setembro de 2009

Comida e Literatura


"Então ele, o anatomista, foi pelasgo, o primeiro de todos os homens. E Eurinome ensinou-o a se alimentar: a Deusa de Todas as Coisas estendeu-lhe a palma da mão cheia de sementes vermelhas de cláviceps purpúrea. E então ele comeu aquela semente e foi o primeiro dos filhos de Cronos. Deitado de costas na subida do Monte de Todos os Montes, pensou que aquela sim era a vida, a morte não passava de um sonho horrível."
Boas!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cor Ética?


Quando prestar mais atenção nas informações das embalagens dos alimentos que consome diariamente, principalmente os coloridos, você vai encontrar um número: E120. Pois esse número aparentemente inocente se refere indiretamente aos bichinhos da foto acima. Na foto parecem bichinhos bem fofinhos e analisando biologicamente pertencem a classe dos insetos e são classificados na ordem Hemiptera. São parentes bem próximos do pulgão e da cigarra e, trocando em miúdos, são poderosas parasitas que se alimentam da seiva de cactos e plantas, também conhecidos no Brasil como pragas de jardim. São as famosas (?!) Cochonilhas, base para a confecção do corante E120 mais conhecido como Carmim de Cochonilha, são de origem mexicana e usadas para esse fim (corante) desde as civilizações Asteca e Maia. Funciona assim, para se defender do ataque de outros insetos, a cochonilha produz o ácido carmínico que é extraído de seu corpo e ovos e depois dá origem ao corante. Para a produção de algo em torno de 450 gramas do corante são necessários cerca de setentam mil pequenas cochonilhas. UAU! Frequentemente associações de defesa dos animais e principlamente os adeptos do veganismo organizam manisfestações contra o uso do corante e para incentivar o boicote aos produtos que o utilizam, muitos deles conhecidíssimos nossos. Pesquise, tire suas conclusões e faça sua escolha.
Boas!

domingo, 20 de setembro de 2009

Na Raiz


"Diz a tal lenda que, dez séculos atrás apareceu grávida a filha do chefe de uma tribo instalada na região onde fica hoje Santarém, no Pará. O cacique onfendidíssimo exigiu que a filha lhe revelasse o nome de seu parceiro de amor. Mesmo sob ameaça de morte, porém, a jovem permaneceu inflexível. Inclusive jurou ao pai que nenhum homem jamais lhe fizera mal algum. Certa noite num sonho, um homem branco assegurou ao chefe que a filha dissera a verdade - e lhe implorou que não sacrificasse a garota. Impressionado, o cacique poupou a filha. Enfim, depois de completadas nove luas cheias, a jovem pariu uma menina lindíssima, de pele absurdamente alva, a quem chamou de Mani. Em pouco tempo se espalhou a notícia do nascimento de tão formosa e diferente criatura. Até nas nações vizinhas Mani foi adorada como uma enviada dos céus. Um ano depois, Mani já falava e corria precocemente. Todavia morreu de repente, sem dores e sem sintoma de doença. A mãe decidiu enterrá-la em sua própria oca - e como era o costume entre seu povo, diariamente passou a regar a sepultura da criança. Determinada manhã, ao acordar, a jovem descobriu que na cova surgira uma plantinha e por se tratar de um vegetal desconhecido, ninguém ousou arrancá-lo. A planta porém, medrou e produziu frutos, que pássaros comeram até se embriagarem, felizes. Um dia, na oca de Mani, subitamente a terra se fendeu, dela surgindo uma raiz no formato do corpinho de uma criança. Para honrar o fenômeno, os nativos assaram e saborearam a raiz, que se transformou em seu alimento mais querido e mais dileto."
Uma das versões do surgimento de um dos mais brasileiros sabores.
Boas!

sábado, 19 de setembro de 2009

Comida e Música



"comeu feijão com arroz como se fosse o máximo"

Boas!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Higiene e Responsabilidade


Infecções por Estafilococos (esq) e Estreptococos (dir).
Uma cozinha bem cuidada deixa saudade e não arrependimento.
Boas!

domingo, 13 de setembro de 2009

Comida de Domingo


Medusa Marinara - Vik Muniz
Comida pode ser arte? - Arte pode ser comida?
Boas!

sábado, 12 de setembro de 2009

França + Brasil



Com pequena possibilidade da presença de Piere Troisgros, um dos criadores da nouvelle cuisine, uma nova constelação "Michelin" aterrissa em São Paulo em outubro em um evento que promete ser a resposta gastronômica francesa ao midiático Jantar do Século de Ferran Adrià e companhia. Onze chefs franceses se unem para fazer o Jantar das Gerações França-Brasil, no Hyatt, em 26 de outubro. Juntos, somam 21 estrelas - em 2008, foram 23 estrelas, mas um número maior de chefs, 15.
Saiba + na Folha.

Para saborear a imaginação, Le Menu:
Entradas frias:
1. Sylvain Portay - Salada de legumes cozidos à grega e frutos do mar marinados.
2. Mauro Colagreco (uma estrela "Michelin") - Salada de aspargos, molho de iogurte com frutas cítricas e ervas selvagens.
3. Emmanuel Renaut - (duas estrelas "Michelin") Gelée de lagostim, milho e coentro.
Entradas quentes:
4. Marc Meneau (duas estrelas "Michelin") - Cromesquis de foie gras.
Claude Troisgros - Ravióli de batata-baroa, manteiga noisette com pinholi.
Pratos Quentes:
5. Philippe Jousse (duas estrelas "Michelin") - Lagosta assada com ervas.
6. Stéphane Raimbault (duas estrelas "Michelin") - Cappuccino trufado de vieiras e ostras ao champanhe.
7. Gerald Passédat (três estrelas "Michelin") - Robalo Lucie Passédat.
8. Jean Michel Lorain (três estrelas "Michelin") - Robalo ligeiramente defumado com caviar Oscietre.
9. Laurent Tourondel - Pato laqueado ao mel de sete especiarias, melba de foie gras, mostarda de manga e gengibre.
10. Regis Marcon (três estrelas "Michelin") - Couci couca de cordeiro em nougatine de cèpes.
Laurent Suaudeau - Milanesa de Costela, molho de jabuticaba e creme de ervilha.
Sobremesas:
Fabrice Le Nud - Mousseline de chocolate branco e cremoso de framboesa.
11. Christophe Michalak (três estrelas "Michelin") - Profiteroles versão 2009.
Olivier Anquier - Pães

Quem são os 12 "padrinhos" franco-brasileiros:
1. Claude Troigros 2. Laurent Suaudeau 3. Fabrice Le Nud 4. Alain Poletto 5. Pascal Valero 6. Eric Berland 7. Patrick Ferry 8. Christian Formon 9. Emmanuel Bassoleil 10. Roland Villar 11. Laurent Hervé 12. Alain Uzan
Boas!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pérolas aos Poucos

"A predileção portuguesa pelo porco é conhecida e secularíssima. Não há alimento mais elogiado nem material que forneça maior número de pratos. O porco faz a festa. Porco do Natal. Na Espanha, diz Júlio Camba, para la mayoria de nuestros campesinos, el cerdo es como un miembro de la familia que se cria de parigual con los chicos. Os alemães rezam pela mesma cartilha. Antes de 1939, cada alemão consumia anualmente 29,6 quilos de carne de porco. Ich habe Schwein não se traduz eu tenho um porco, mas eu tenho sorte. Um porquinho de marfim é valiosa mascote. Diante de um lombo assado de porco, de um legítimo Schweine Braten, minhotos, alemães e galegos caem em puro êxtase, aliás justificado."
História da Alimentação no Brasil - Câmara Cascudo
Boas!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Comida para Macunaíma


"Por volta de 1940, João Peretti dava-me uma merenda em sua casa de Caxangá, no Recife (516). Serviço de velha porcelana brasonada, cristais da Boêmia, vinhos franceses, conjunto delicado de coisas deliciosas. Estavam presentes D. João de Orleans e Bragança, Públio Dias e Guilherme Áuler, médicos e eu. João Peretti avisou-nos haver um famoso pé-de-moleque, feito com os rigores da tradição pernambucana. O criado, negro, alto, sisudo, obedecia aos olhares e gestos discretos do anfitrião. Bandeja com infinidade de queijos da França, Itália, Holanda, Portugal. Pusemos um pedaço no prato. O telefone toca e Peretti foi atender. O criado, impossível e grave, olhou-nos com surpresa e, sem vacilar, serviu-nos de uma vasta tora do "pé-de-moleque" junto ao mais aristocrático dos queijos franceses. Não compreendia queijo sem mais alguma coisa. Volta Peretti, com seu ar de gentil-homem apressado, e vê nos nossos pratos o queijo e o "pé-de-moleque", hurlaient de se trower ensemble, e ergue lentamente os braços para o alto, num mudo desespero irreprimível.Rimos o resto da tarde. E brasileiramente não dispensamos de comer o queijo com o pé-de-moleque e Bourgogne."
Pequeno trecho do livro História da Alimentação no Brasil de autoria do potiguar Luis da Câmara Cascudo. Brasileiríssimo, operário prolixo no ofício da escrita e extremamente perspicaz na narrativa da história de nosso povo e também desse nosso país de tão difícil compreensão. Apesar de algumas escolhas políticas um tanto duvidosas ao longo da vida, é impossível falar sobre folclore e comida no Brasil sem citar ao menos uma de suas obras. Desconfie sempre de alguém que discorra sobre cozinha brasileira e não cite esse tão tupiniquim cidadão, um cara cujas palavras parecem funcionar como um espelho sempre a nos mostrar nossa verdadeira identidade.
Boas!

sábado, 5 de setembro de 2009

Terroir


Muito se falou e se fala sobre terroir, essa bela palavra francesa rejuvenecida pelos geógrafos da terra de Asterix, que pode transmitir muitas sensações, avançou sobre várias linguas e conquistou um importante lugar no vocabulário de todos que levitam em torno da cozinha e do bar, seja trabalhando ou curtindo. Para achar o significado ao pé da letra, sugiro que vá até a wikipedia e escolha o idioma mais adequado à sua curiosidade ou nos vários sites sobre vinho que temos na rede, principalmente aqueles sobre as regiões demarcadas francesas. Mas hoje tenho uma sugestão para você descobrir e fazer o reconhecimento do seu próprio terroir. Não requer prática nem tampouco habilidade, principalmente porque hoje temos o celular como um prático e rápido captador de imagens. Primeiro escolha uma janela ou porta que tenha o seu visual preferido do quintal ou da paisagem ao seu redor, escolha também um horário do dia que a luz te agrade muito e que você possa estar em casa. Feito isso, você terá que ir todos os dias no decorrer de um ano, até a porta ou janela escolhida e naquele horário determinado bater uma foto e anotar a data, a hora e a temperatura. Ao final dos 365 dias você começará a conhecer o seu terroir, vai poder acompanhar todas as mudanças que acontecem durante as quatro estações ali pela sua janela e conhecer o seu real ambiente. Se continuar ano após ano, construirá um arquivo magnífico, um importante documento. Para ajudar na inspiração assista ao filme Smoke de Wayne Wang, com linda atuação de Harvey Keitel e William Hurt. Experimente!
Boas!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Boa Infomação


Deu no Estadão - Patrica Ferraz:
Às vésperas do lançamento no Brasil de seu livro A Cozinha a Nu, o catalão Santi Santamaria, dono do três estrelas Can Fabes – ex-amigo e atual arqui-inimigo de Ferran Adrià –, reafirma as denúncias que provocaram a polêmica sobre o uso de aditivos químicos na cozinha de vanguarda, mas uniram chefs do mundo todo em apoio a Adrià. Em entrevista por telefone ao Paladar, Santamaria diz que faria tudo de novo e amplia as acusações: "A gastronomia espanhola está sequestrada pela ‘extrema direita culinária’."

O que é extrema direita culinária?
É uma extrema direita de poder. Eles são o establishment, vendem os pós como progresso, quando os pós são uma adulteração da cozinha como fenômeno cultural. Há uma grande ruptura e nós vamos padecer dela. Assim como houve uma bolha econômica que originou a crise, na Espanha temos a bolha gastronômica: abandonamos o ofício, nos dedicamos ao puro marketing e nossos jovens cozinheiros têm a pior formação da Europa.

Que balanço faz da sua vida depois da publicação do livro?
Deixei alguns amigos pelo caminho... Mas há muita gente que me diz "não pare". E pensar que perdi muito tempo me preocupando com os esnobes... Por que nós chefs temos de estar a serviço do esnobismo? Acho que a gastronomia tem de voltar à simplicidade, deixar de ser a arte de aparentar. Pense!
Boas!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

+ que mandioca



A tal bolacha vende mais porque é fresquinha ou é fresquinha porque vende mais. Alguns segredos estão mais que guardados, mais do que trancados a sete chaves. Um dia acordei a pensar qual seria a solução de um dos segredos tupiniquins mais antigos e mais espalhado em todas as áreas de nossa incipiente tradição. Por que cargas d'água alguns produtos e serviços de nossa terra brasilis são completamente ignorados, verdadeiramente desdenhados até que um incalto gringo com certa fama os descubra e nos faça olhar com outros olhos seja para o serviço ou para produto. Aí, com o carimbo de qualidade do forasteiro esse ítem passa a ser além de famoso, imprescindível. Uma das descobertas mais recentes foi a nossa sidra, que apesar de desprezada e bem baratinha, foi elogiada e chegou até os belos pratos da badalada alta gastronomia espanhola. E assim aconteceu muitas vezes e outras muitas vezes acontecerá porque talvez nos falte uma maior confiança em nossas próprias palavras. Mas alguma coisa parece estar mudando, ou será que pode ser apenas uma maneira inteligente para aparecer, ficar mais conhecido, vender o seu peixe? A foto acima é de uma das recentes vedetes que nos foi apresentada pelos nossos próprios chefs, a baunilha-banana (Vanila edwalli). Ainda temos priprioca, cumaru, pacová.... Entre pensar ou julgar e comer, primeiro coma, experimente e descubra quais os sabores que sua terra natal pode te proporcionar, depois se sentir necessidade, pense a respeito.
Boas!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

+ Refeições




Para quem gosta ou precisa, uma pequena flor pode valer muito.
Syrphidae sp. - mosca das flores - atrás de pólen.
Boas!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Comida + Saudade



Deliciosos charutinhos de folha uva recheados com tenra carne moída, um clássico prato árabe que recomendo aqui pela passagem do dia em que Yasser Arafat completaria 80 anos. Naquele grande caldeirão fervente do Oriente Médio, ele foi um líder carismático e fiel. Cresci física e intelectualmente admirando aquele homem forte mas com um sorriso franco, exigindo os direitos de seu povo quando era necessário e clamando a paz nos momentos adequados. Sempre com sua barba característica, seu keffiyeh (lenço palestino) no pescoço e seu braço esticado saudando os que viam nele um grande esperança de enfim ver a terra palestina nas mãos dos palestinos.

slm

boas!

domingo, 23 de agosto de 2009

Piquenique do Friccó


A distância da história e da identidade da comida que degustamos ou engolimos no dia a dia é sempre muito maior do que a maioria gostaria. O supermercado realmente não parece um ambiente produtor adequado, apesar de grande parte da população infantil dos centros urbanos de hoje achar que tudo nasce ali na gôndola , na prateleira ao alcance de um braço qualquer e um carrinho pronto para abocanhá-lo, há vida antes da gôndula ou da mesa do restaurante preferido. Para nos ajudar a descobrir ou reviver de onde saem todas as cores e sabores que gostamos de comer, o Restaurante Friccó através de seu chef Sauro Scarabotta, trouxe o projeto Piquenique do Friccó. Trata-se da agradável ideia de levar o cliente até onde nasce aquele produto que ele tanto aprecia, e além de fazê-lo suar para aprender a escolher e colher, ensinar um pouco sobre a origem e os cuidados da cultura e ainda o melhor de tudo, saborear o sujeito ali, in loco, num surpreendente piquenique à moda antiga. Com direito a acompanhamento do vinho adequado em sua taça correspondente, assim como se penetrássemos num quadro de Césanne e curtíssemos a vida mais lenta, deliciando-se de uma paisagem do inconsciente coletivo dos aureos tempos da sociedade ainda incipiente. Experimente!

Boas!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Fruta da Época no Mercadão


O Mercado Municipal de São Paulo está fazendo uma deliciosa campanha para aumentar o consumo de frutas em sua melhor data de produção ou melhor dizendo em sua safra. Atualmente a campanha está focada no saboroso e quente (apesar do inverno) morango, que tem sua safra entre julho e novembro. Todos já devem saber que consumindo as frutas em sua determinada safra, além de serem muito mais saborosas você diminui muito a chance de ingerir junto com a fruta uma quantidade muito grande de fertilizantes e agrotóxicos, pois em sua época e com seu clima preferido a fruta se desenvolve muito melhor, com todo seu potencial de sabor, textura, cor, vitaminas, etc. A campanha funciona da seguinte maneira, quem comprar qualquer produto com morango ou a própria fruta receberá um cupom que dará direito a assistir aulas ministradas por chefs, além disso haverá sempre uma nutriconista de plantão para falar sobre os benefícios de se comer o fotogênico morango. Por falar nisso ele é rico em vitamina C e B5 e bom lembrar que ele já foi o número um em resíduos de agrotóxicos, então se puder consumir a versão orgânica e de alguma pequena propriedade de agricultura familiar , apesar do preço ser maior, será ainda melhor. Bom apetite.

Boas!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gosto de Hemingway


A mesa posta, o vinho servido e o homem criativo das muitas e belas palavras convida seu amigo gato para também satisfazer sua necessidade de bem fartar-se. Na intimidade de uma refeição em casa, seja para celebrar a liberdade ou mesmo até para matar a solidão, a satisfação e uma boa companhia podem se sobrepor a qualquer preocupação ou perigo com relação a segurança alimentar. Assim, só nos resta pensar o que será que Ernest Hemingway servia a seu amigo felino e morrer de inveja desse peludo que podia dividir a mesa com o famoso escritor. Quem sabe também não era um 21 de Julho como hoje, um dia especial perdido num saudoso tempo, e mr. Hemingway estava comemorando a passagem de mais um ano de sua merecida vida.

Boas!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Personagens da Cozinha - Ramequin II



RAMEQUIN II - o utensílio

Indispensável seja na cozinha de casa, do trabalho ou da escola, poucas coisas são tão práticas quanto o rapaz da foto ai de cima, principalmente se você gosta de uma cozinha pratica e ao mesmo tempo organizada. Um grande coringa do dia-a-dia, ele é perfeito desde o mise-en-place, passando por todos os fornos e chegando até todas as mesas. Encontrado em vários fomatos e tamanhos todos eles são valentes, alguns são bonitos, alguns são charmosos e alguns até tem o estatus de vintage, como os da foto, que realmente lembram aqueles bem antigos. Se ainda não tem nenhum na sua cozinha, compre e experimente. E olhe que apesar de não ser o SS, garanto a sua satisfação.

Boas!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Personagens da Cozinha - Ramequin


RAMEQUIN - o queijo


Especialidade culinária de Bugey, mais precisamente Saint-Rambert-en-Bugey, nos Alpes Franceses, seu único lugar de produção. O ramequin é um queijo de vaca, com aproximadamente 7 cm de diâmetro, fabricado a partir de leite desnatado, e que se degusta aquecido como um fondue. Geralmente um prato para toda familia, acompanhado de um embutido defumado e mais uma salada verde para não ficar só na culpa. Vai encarar?

Boas!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

comida + conhecimento


O lindo (e parece gostoso) Bolo Mondrian.

As idéias também podem ser gostosas.

boas!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

a cozinha, o moinho, a meunière e a belle meunière


Era uma vez... Um lindo e grande e gordo gato xadrez que num pires bem rasinho, tomava leite desnatado com algumas gotas de xerez. Não, não, não. Não é nada disso que tenho para contar, apenas comecei assim para falar que nem todos os contos que começam com era uma vez são estórias infantis feitas para alimentar a imaginação ou para embalar uma boa noite de sono. Muitas de nossas artes e ciências têm estórias que pela falta de informações precisas devido ao longo tempo já passado acabam se tornando histórias, ou mesmo sendo aceitas como verdadeiras apenas para facilitar o entendimento. Às vezes existem mais de uma versão para o mesmo fato, ou ainda aquela velha máxima de quem conta um conto aumenta um ponto, aí ganha a versão que for mais contada ou mais simpática e conseguir se espalhar mais rapidamente. A gastronomia é mestre em produzir as mais variadas versões de como ou porque aquele prato recebeu aquele determinado nome homenageando essa ou aquela pessoa, figura, cidade, etc.
A nossa versão de hoje é sobre o tão imitado, confuso e conhecidíssimo sobrenome Belle Meunière. Sobrenome porque o primeiro nome pode ser qualquer tipo de pescado, os mais comuns são o Congrio, o Badejo, e o Linguado. Espalhado por praticamente todo o litoral e outras grandes cidades do interior, o Belle Meunière significa geralmente (provável, mas não garantido) que o peixe é empanado com farinha de trigo, servido ao molho de manteiga e acompanhado de champignons, camarões-sete-barbas, limão e alcaparras. Na verdade são dois tipos de receita, ambas de origem francesa, a primeira é o peixe à Meunière, e a segunda seria uma evolução do original, que é á Belle Meunière. Na primeira já tínhamos a farinha de trigo para empanar, a pimenta-do-reino e o limão. Mais tarde, provavelmente lá pela metade do século XX, um gastrônomo francês que considerava o prato tradicional muito pobre, incrementou-o com camarões e champignons, batizando a nova versão como Belle Meunière.
E o era uma vez... onde está? Olhe, tudo isso começou com a intenção de se homenagear uma linda personagem de um velho conto infantil francês, conto esse sobre uma meunière, que em português seria uma senhorita que cuida do dia a dia no moinho de trigo. Já tenho na cabeça uma imagem pronta dessa famosa meuniére, moça tímida de uma beleza forte entre simples e rústica, tímida, mas com um lindo sorriso e mais aquele clássico lenço amarrando os longos cabelos morenos claros, o vestido um pouco acima do joelho, de tecido leve, rodado, florido, mas já puído. Enfim, aquela imagem cativante de um primeiro amor simples e sincero, que todos um dia já sonhamos ter. Inclusive o cozinheiro lá no começo que frente a frente com sua faca e seu peixe, ficava se imaginando na companhia da bela meunière. Se procuras um grande amor e um prato para homenageá-lo, boa sorte. Eu já servi as minhas crocantes Sardinhas á Isabel.
Não gostou dessa versão? Conte-me a sua.

Boas!

sábado, 4 de julho de 2009

palavra comida




_______o
_________céu
____________era
_______açuc__ar_lu
_______minoso
_____________comestível
_______vivos
___________cravos tímidos
_______limões
_______verdes__frio__s_choc
_______olate
_______s.


_________so__b,
________uma _lo
_______co
_______mo
_________tiva____c_uspi
_____________________ndo
________________________vi
________________________o
________________________letas


e.e. cummings
por augusto de campos

boas!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Faz Bem Comer Bem



Sábado passado foi o Dia Internacional do Diabético, uma data realmente importante em se tratando de comer e beber com responsabilidade mas também com muito sabor. E apesar de já ter disponibilizado esse link, só que em outro blog, é gostoso voltar a falar de uma parte do Brasil que funciona, que nos deixa orgulhosos, que tem muita qualidade e ainda por cima não tem custo algum. A espetacular série de livros Comida Que Cuida. Mesmo que você não tenha diabetes ou qualquer outro problema de saúde (melhor prevenir que remediar), vale à pena uma olhada, se não for pela boa leitura, vale pelas úteis informações, pela criatividade do formato, pelas ilustrações; enfim pelo produto de excelente qualidade. Além do volume sobre o diabetes, deixo também os links para os dois outros volumes da série, alimentação saudável para pacientes oncológicos e para fazer as pazes com o coração. Clique nos links e descubra que se somos o que comemos, podemos ser muito melhores.
Não perca!


COMIDA QUE CUIDA

Volume 1 pacientes oncológicos
Volume 2 para o diabetes
Volume 3 paz com o coração

Boas!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mi Cocina, Su Cocina

© Gabriel dos Anjos (técnica HDR)

Boas!

sábado, 27 de junho de 2009

Hoje Acordei com Gosto de Sertão...

Mecê quer de comer? Tem carne, tem mandioca. Eh, oh, paçoca. Muita pimenta. Sal, tenho não. Tem mais não. Que cheiro bom, bonito, é carne. Tamanduá que eu cacei. Mecê não come?Tamanduá é bom. Tem farinha, rapadura. Cê pode comer tudo, 'manhã eu caço mais, mato veado. 'Manhã mato veado não: carece não. Onça já pegou cavalo de mecê, pulou nele, sangrou na veia-altéia...Bicho grande já morreu mesmo, e ela ainda não largou, tá em riba dele...Quebrou a cabeça do cavalo, rasgou pescoço...Quebrou? Quebroou!...Chupou o sangue todo, comeu um pedação de carne. Depois, carregou cavalo morto, puxou pra beira do mato, puxou na boca. Tapou com folhas. Agora ela tá dormindo, no mato fechado...Pintada começa comendo a bunda, a anca. Suaçurana começa p'lá pá, p'los peitos. Anta, elas duas principeiam p'la barriga: couro é grosso...Mecê 'creditou? Mas suaçurana mata anta não, não é capaz. Pinima mata; pinima é meu parente!...

trecho de Meu Tio o Iauaretê.
João Guimarães Rosa, parabéns pelos 101!
ilustração Roger Mello

A comida, seja em história ou estória, também está nas muitas páginas e muitas letras de muitos escritores espalhados por esse mundo meu Deus. Cada livro sempre vai te trazer um sabor a mais. Experimente Cozinha Cultural

Boas!


quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Pescador, O Peixe e o Poeta



Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é sentir a natureza
Ter certeza pr'onde vaiE de onde vem
Que beleza é vir da pureza
E sem medo distinguir
O mal e o bem...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é saber seu nome
Sua origem, seu passado
E seu futuro
Que beleza é conhecer
O desencanto
E ver tudo bem mais claro
No escuro...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Abra a porta
E vá entrandoFelicidade vai
Brilhar no mundo
Que Beleza! Que Beleza!...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
® Tim Maia

Boas!

sábado, 20 de junho de 2009

Tampopo - Os Brutos Também Comem Espaguete



Cozinha é dedicação; e também suor, conhecimento, pressão, curiosidade, paciência, simplicidade, humildade, amor (e muita dor nas pernas). Tudo isso junto, e por que não, reconhecimento. Pois a grande maioria dos proprietários de restaurante que conheço se esforçam e pensam e gastam muito mais com o salão e com equipamentos do que com a cozinha e seus ocupantes. Mas outro dia eu prometo descascar esse abacaxi. Hoje à tarde, depois desse último sábado (com belo sol) do outono, a recomendação é o ótimo filme japonês sobre toda a força da cultura, tudo o que gira em torno e o grande significado do milenar e gostoso Lamen na gastronomia japonesa. Nada de sushis, sashimis, temakis, e nada dos miojos nacionais e suas cópias. a esforçada Tampopo usa todas as palavras iniciais deste post, e junto com a importante ajuda de Goro, passa seus dias à procura de todos os segredos para poder presentear seus clientes com um lamen perfeito. Grande filme sobre cozinha e sobre cozinhar, sobre paixão e amor, tudo isso num clima de comédia gostoso e o mais importante, sem apelações, sem atores famosos, sem estilizações. Um filme que hollywood já tentou realizar algumas vezes, mas sempre pecou pelo excesso, e está devendo. Enfim, seja com pipoca, com chocolate quente ou em barra, com ou sem companhia, essa bela comédia vai te ajudar a ter um fim de semana com mais humor e esperança. Um genuíno western spaguetti japonês.



Tampopo - Os Brutos Também Comem Espaguete
Diretor: Juzo Itami

Conduzido pela dupla Nobuco Miyamoto (Tampopo) e Tsutomo Yamazaki (Goro)

Duração: 115 min. Ano: 1986


Boas!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

GOSTO?



NÃO SE DISCUTE!
Boas!

quinta-feira, 11 de junho de 2009




A INVENÇÃO

No século XVII, por volta de 1678, o físico francês Denis Papin inventa seu "digestor' (panela de pressão) para poder apreveitar os ossos e não somente as carnes, era um dos começos para a ciência invadir com método a cozinha. Papin ainda inventou marmita a vapor e foi um dos pioneiros do motor a vapor.


COMO FUNCIONA


Nas panelas abertas a água ferve a temperatura próxima de 100 graus Celsius, dependendo da altitude. Lembrando que a pressão atmosférica ao nível do mar é 1atm e que submetida a essa pressão a água ferve a 100 graus Celsius. A panela de pressão cozinha mais rapidamente os alimentos porque a temperatura da água em seu interior ultrapassa os 100 graus Celsius, atingindo temperaturas próximas de 120 gruas Celsius. A panela é fechada de maneira que o vapor d'água que se forma em seu interior não se dissipa para o ambiente. Desta maneira, a pressão interna aumenta, podendo chegar a 2atm. Nesta pressão a água ferve a uma temperatura aproximadamente igual a 120 graus Celsius. Assim, como a água atinge uma temperatura maior, os alimentos são cozidos com maior rapidez.
Por segurança, estas panelas possuem uma válvula para controle de pressão e uma válvula de segurança. A válvula para controle de pressão permite a saída do vapor d'água quando a pressão deste vapor alcança um limite, caso a pressão interna ultrapasse o valor suportado pela panela a válvula de segurança se rompe, evitando o acidente. E bom saber: quando a panela "pega pressão' não adianta mantê-la em fogo em alto porque a temperatura da água não vai aumentar. Para economia de gás o ideal é abaixar o fogo no momento em que a água comece a ferver.


Para continuar: A Alquimia dos Alimentos da editora senac
Boas!

quarta-feira, 10 de junho de 2009


OUI CHEF!?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ano da França no Brasil




De Olho nas Panelas

Santa Catarina recebe ciclo de chefs franceses até agosto

Deu na Folha:
No período de 31 de julho a 30 de agosto, o resort Ponta dos Ganchos, na cidade de Governador Celso Ramos, SC, recebe chefs franceses como Eric Berland, Emmanoel Bassoleil, Erick Jacquin e Claude Troisgros.
A proposta do festival é promover um intercâmbio culinário cujo tema principal são as comemorações do Ano da França no Brasil. O primeiro chef a partcipar será Eric Berland, entre 31 de julho e 2 de agosto. Berland é responsável pelas panelas do Restaurante Parigi em SP. O segundo chef, Emmanuel Bassoleil, que comanda o restaurante Skye do Hotel Unique, támbém em SP, participa em 7, 8 e 9 de agosto.
Na terceira semana, o convidado será Erick Jacquin, chef e proprietário do restaurante La Brasserie, SP, que estará no evento de 21 a 23 de agosto. Por fim, quem encerra o ciclo, de 28 a 30 agosto, é o chef e apresentador de televisão Claude Troisgros.
Para a semana tentarei obter mais informações.

Boas!



domingo, 7 de junho de 2009


(Um) Dia

s.m. O espaço de tempo que vai do nascer ao pôr do sol./Claridade, luz do sol: o dia começa a despontar./ Tempo durante o qual o sol alumia o horizonte./ Duração de vinte e quatro horas, regulada pela rotaçã da Terra sobre si mesma. (O ano dura trezestos e sessenta e cinco dias e um quarto.)/ Época, circunstância: aguardemos o dia propício./ Época atual: as notícias do dia./ Estado da artmosfera: dia claro./ As horas que o trabalhador tem a obrigação de trabalhar: perder o dia.// Dia a dia: todos os dias.// Hoje em dia, atualmente, nos dias que correm.// Um dia, certa vez.// Dia astronômico ou solar, espaço de 24 h contadas de meio-dia a meio-dia.// Dia natural, espaço de 24 h gasto pelo sol para voltar ao meridiano de onde saíra.// Dia civil, espaço de 24 h gasto de meia-noite a meia-noite.// Dia sideral, intervalo deuas pasagens consecutivas do ponto vernal ao meridiano de algum lugar.// Dia lunar, tempo que a lua gasta para voltar a mesmo meridiano.// Dia aziago, dia infeliz, de mau agouro.//Dia de são nunca, dia que nunca chegará.//

Boas!