sábado, 27 de junho de 2009

Hoje Acordei com Gosto de Sertão...

Mecê quer de comer? Tem carne, tem mandioca. Eh, oh, paçoca. Muita pimenta. Sal, tenho não. Tem mais não. Que cheiro bom, bonito, é carne. Tamanduá que eu cacei. Mecê não come?Tamanduá é bom. Tem farinha, rapadura. Cê pode comer tudo, 'manhã eu caço mais, mato veado. 'Manhã mato veado não: carece não. Onça já pegou cavalo de mecê, pulou nele, sangrou na veia-altéia...Bicho grande já morreu mesmo, e ela ainda não largou, tá em riba dele...Quebrou a cabeça do cavalo, rasgou pescoço...Quebrou? Quebroou!...Chupou o sangue todo, comeu um pedação de carne. Depois, carregou cavalo morto, puxou pra beira do mato, puxou na boca. Tapou com folhas. Agora ela tá dormindo, no mato fechado...Pintada começa comendo a bunda, a anca. Suaçurana começa p'lá pá, p'los peitos. Anta, elas duas principeiam p'la barriga: couro é grosso...Mecê 'creditou? Mas suaçurana mata anta não, não é capaz. Pinima mata; pinima é meu parente!...

trecho de Meu Tio o Iauaretê.
João Guimarães Rosa, parabéns pelos 101!
ilustração Roger Mello

A comida, seja em história ou estória, também está nas muitas páginas e muitas letras de muitos escritores espalhados por esse mundo meu Deus. Cada livro sempre vai te trazer um sabor a mais. Experimente Cozinha Cultural

Boas!


quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Pescador, O Peixe e o Poeta



Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é sentir a natureza
Ter certeza pr'onde vaiE de onde vem
Que beleza é vir da pureza
E sem medo distinguir
O mal e o bem...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é saber seu nome
Sua origem, seu passado
E seu futuro
Que beleza é conhecer
O desencanto
E ver tudo bem mais claro
No escuro...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Abra a porta
E vá entrandoFelicidade vai
Brilhar no mundo
Que Beleza! Que Beleza!...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
® Tim Maia

Boas!

sábado, 20 de junho de 2009

Tampopo - Os Brutos Também Comem Espaguete



Cozinha é dedicação; e também suor, conhecimento, pressão, curiosidade, paciência, simplicidade, humildade, amor (e muita dor nas pernas). Tudo isso junto, e por que não, reconhecimento. Pois a grande maioria dos proprietários de restaurante que conheço se esforçam e pensam e gastam muito mais com o salão e com equipamentos do que com a cozinha e seus ocupantes. Mas outro dia eu prometo descascar esse abacaxi. Hoje à tarde, depois desse último sábado (com belo sol) do outono, a recomendação é o ótimo filme japonês sobre toda a força da cultura, tudo o que gira em torno e o grande significado do milenar e gostoso Lamen na gastronomia japonesa. Nada de sushis, sashimis, temakis, e nada dos miojos nacionais e suas cópias. a esforçada Tampopo usa todas as palavras iniciais deste post, e junto com a importante ajuda de Goro, passa seus dias à procura de todos os segredos para poder presentear seus clientes com um lamen perfeito. Grande filme sobre cozinha e sobre cozinhar, sobre paixão e amor, tudo isso num clima de comédia gostoso e o mais importante, sem apelações, sem atores famosos, sem estilizações. Um filme que hollywood já tentou realizar algumas vezes, mas sempre pecou pelo excesso, e está devendo. Enfim, seja com pipoca, com chocolate quente ou em barra, com ou sem companhia, essa bela comédia vai te ajudar a ter um fim de semana com mais humor e esperança. Um genuíno western spaguetti japonês.



Tampopo - Os Brutos Também Comem Espaguete
Diretor: Juzo Itami

Conduzido pela dupla Nobuco Miyamoto (Tampopo) e Tsutomo Yamazaki (Goro)

Duração: 115 min. Ano: 1986


Boas!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

GOSTO?



NÃO SE DISCUTE!
Boas!

quinta-feira, 11 de junho de 2009




A INVENÇÃO

No século XVII, por volta de 1678, o físico francês Denis Papin inventa seu "digestor' (panela de pressão) para poder apreveitar os ossos e não somente as carnes, era um dos começos para a ciência invadir com método a cozinha. Papin ainda inventou marmita a vapor e foi um dos pioneiros do motor a vapor.


COMO FUNCIONA


Nas panelas abertas a água ferve a temperatura próxima de 100 graus Celsius, dependendo da altitude. Lembrando que a pressão atmosférica ao nível do mar é 1atm e que submetida a essa pressão a água ferve a 100 graus Celsius. A panela de pressão cozinha mais rapidamente os alimentos porque a temperatura da água em seu interior ultrapassa os 100 graus Celsius, atingindo temperaturas próximas de 120 gruas Celsius. A panela é fechada de maneira que o vapor d'água que se forma em seu interior não se dissipa para o ambiente. Desta maneira, a pressão interna aumenta, podendo chegar a 2atm. Nesta pressão a água ferve a uma temperatura aproximadamente igual a 120 graus Celsius. Assim, como a água atinge uma temperatura maior, os alimentos são cozidos com maior rapidez.
Por segurança, estas panelas possuem uma válvula para controle de pressão e uma válvula de segurança. A válvula para controle de pressão permite a saída do vapor d'água quando a pressão deste vapor alcança um limite, caso a pressão interna ultrapasse o valor suportado pela panela a válvula de segurança se rompe, evitando o acidente. E bom saber: quando a panela "pega pressão' não adianta mantê-la em fogo em alto porque a temperatura da água não vai aumentar. Para economia de gás o ideal é abaixar o fogo no momento em que a água comece a ferver.


Para continuar: A Alquimia dos Alimentos da editora senac
Boas!

quarta-feira, 10 de junho de 2009


OUI CHEF!?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ano da França no Brasil




De Olho nas Panelas

Santa Catarina recebe ciclo de chefs franceses até agosto

Deu na Folha:
No período de 31 de julho a 30 de agosto, o resort Ponta dos Ganchos, na cidade de Governador Celso Ramos, SC, recebe chefs franceses como Eric Berland, Emmanoel Bassoleil, Erick Jacquin e Claude Troisgros.
A proposta do festival é promover um intercâmbio culinário cujo tema principal são as comemorações do Ano da França no Brasil. O primeiro chef a partcipar será Eric Berland, entre 31 de julho e 2 de agosto. Berland é responsável pelas panelas do Restaurante Parigi em SP. O segundo chef, Emmanuel Bassoleil, que comanda o restaurante Skye do Hotel Unique, támbém em SP, participa em 7, 8 e 9 de agosto.
Na terceira semana, o convidado será Erick Jacquin, chef e proprietário do restaurante La Brasserie, SP, que estará no evento de 21 a 23 de agosto. Por fim, quem encerra o ciclo, de 28 a 30 agosto, é o chef e apresentador de televisão Claude Troisgros.
Para a semana tentarei obter mais informações.

Boas!



domingo, 7 de junho de 2009


(Um) Dia

s.m. O espaço de tempo que vai do nascer ao pôr do sol./Claridade, luz do sol: o dia começa a despontar./ Tempo durante o qual o sol alumia o horizonte./ Duração de vinte e quatro horas, regulada pela rotaçã da Terra sobre si mesma. (O ano dura trezestos e sessenta e cinco dias e um quarto.)/ Época, circunstância: aguardemos o dia propício./ Época atual: as notícias do dia./ Estado da artmosfera: dia claro./ As horas que o trabalhador tem a obrigação de trabalhar: perder o dia.// Dia a dia: todos os dias.// Hoje em dia, atualmente, nos dias que correm.// Um dia, certa vez.// Dia astronômico ou solar, espaço de 24 h contadas de meio-dia a meio-dia.// Dia natural, espaço de 24 h gasto pelo sol para voltar ao meridiano de onde saíra.// Dia civil, espaço de 24 h gasto de meia-noite a meia-noite.// Dia sideral, intervalo deuas pasagens consecutivas do ponto vernal ao meridiano de algum lugar.// Dia lunar, tempo que a lua gasta para voltar a mesmo meridiano.// Dia aziago, dia infeliz, de mau agouro.//Dia de são nunca, dia que nunca chegará.//

Boas!

(Um) Gosto


s.m. Sentido que permite distinguir os sabores das substâncias; paladar. (No homem os órgãos do gosto localizam-se nas papilas gustativas da língua, sensíveis a quatro sabores: salgado, açucarado, amargo, ácido; nos peixes os órgãos do gosto são externos: os barbilhões; nas borboletas e nas moscas estão situados na extremidades das patas.)/ Sabor: o manjar está com um gosto delicioso./ Predileção, inclinação, vocação, tendência, interesse: tem gosto para a pintura./ Sentimento do belo: tem muito gosto para se vestir./ Simpatia, inclinação, favorável: sobre gostos não se discute. Satisfação, gozo, prazer: faço isso com muito gosto.// Dar gosto a (alguém), ser agradável a.// Estar a gosto, estar à vontade.// Fazer gosto em, aceitar gostosamente.// A gosto ou ao gosto de (alguém), conforme o desejo de.
Boas!


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Primeiro Gosto

No comecinho da década de 90, quando já estava quase para completar minhas três décadas, uma grande amiga com nome de flor e com quatorze anos de vida a menos do que eu me pegou pela mão, me pagou uma pipoca (saboreada fora da sala de exibição, lógico) e me levou para assistir um desenho tcheco da década de 60. Claro, falado em tcheco, mas com salvadoras legendas, só que as legendas eram em inglês. Mas além da pipoca, ganhei 91 minutos deliciosos de uma linda fábula sobre um gato, um gato que não era famoso pelas suas botas, mas pelos seus óculos. Nunca mais me esqueci desse raro filme: Um Dia, Um Gato. Assisti algumas outras vezes depois dessa, sozinho ou levando alguém para dividir a pipoca, foram todas excelentes sessões. Além disso, essa grande amiga com nome de flor tinha um forte laço com a gastronomia, seu pai era criador de trutas em Visconde de Mauá e proprietário do expressivo Truta Rosa, um singular restaurante com um aquário que passeava por ele, cheinho dos lindos peixes e que tinha na fachada uma enorme janela no formato de truta. Por tudo isso sempre tive um grande carinho pela amiga e pelo filme, já que gosto muito de gatos e de trutas. Os gatos de preferência no sofá, e as trutas de preferência com amêndoas. Na hora de escolher um nome para o blog, toda essa história se fez presente e esse nome me pareceu adequado para a deliciosa tarefa de discorrer por, entre e sobre a gastronomia. Então apresento-lhes: Um Dia, Um Gosto. Esforçarei-me ao máximo para deixar os preconceitos de fora dessa cozinha. Aqui além de equipamentos, utensílios e temperos, indicarei desde o ótimo pastel de moela do boteco copo sujo de uma esquina perdida do centro que é decorado com aqueles velhos e clássicos azulejos já não mais tão azuis, até a caprichada Coquilles Saint-Jacques do legítimo bistrô francês pilotado por um Mané e perdido lá pelo norte da ilha. E para molhar a garganta, desde a perfumada e bem feita schnaps do Herr Ivo, que é degustada a beira rio com aquele barulhinho de correnteza numa cadeira de madeira feita por ele mesmo, até o dispendioso, famoso e borbulhante elixir francês de Dom Perignon, servido em alguma varanda com privilegiada vista para o mar.
‘A questão fundamental é o amor, não são lipídios, proteínas, glicose, etc.; mas a alegria que proporcionamos a quem vamos alimentar.’ Toda cozinha ou cozinheiro que trabalhe com essa essência, merece nosso respeito, nossa atenção e por que não, nossos reais. A partir de agora estarei sempre por aqui, te aguardando para trocarmos idéias, receitas ou indicações.
Primeiro Gosto (ou primeiros desejos): em casa, geralmente as sextas, a linda abobrinha recheada da minha querida Vovó. Fora de casa, aos sábados, a aventura de atravessar a cidade de ônibus com os pais, atrás da clássica pizza de mozarela com tomates italianos da Chácara Souza. Lembranças...

Valeu pela visita!

Até a próxima!

Bons Temperos!