quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Comida com Números


Para encher o prato nosso de cada dia precisamos sacrificar muitos e muitos animais e nem todos são criados ou sacrificados como deveriam, além disso temos a poluição ambiental causada pela falta de capacitação e educação de muitos de nossos criadores e matadouros. Mas em alguns lugares desse nosso imenso País algo está mudando, a cobrança por melhores condições aos animais que nos servirão de alimento está ficando cada vez maior, seja pela vontade de exportação dos grandes frigoríficos para mercados mais exigentes ou mesmo por uma conscientização dos novos consumidores locais exigindo mudanças, muitos procedimentos estão sendo revistos. E não é porque muitos de nós humanos comem e adoram carne que devemos estimular sádicos ou até não se importar com métodos cruéis nas fazendas e sítios ou nos frigoríficos. A maior das questões é que o número de bocas a ser alimentada aumenta dia a dia, e isso pode acabar sufocando as cidades, os estados, os países e o planeta. Que tal se cada um der uma ajuda e dimuirmos um pouco nosso ímpeto de saborear as deliciosas proteínas animais, deixando-as somente para o fim de semana ou alternando os dias da semana em que elas entram no menu. Podemos também optar pelas marcas que se comprometem com o bem estar dos animais e com nosso futuro, principalmente os pequenos produtores e cooperativas. E não podemos esquecer que também somos campeões mundiais no uso de agrotóxicos e por isso devemos incentivar cada vez mais o plantio e consumo dos orgânicos, lembrando que quanto mais comprarmos, mais o seu preço de venda tende a cair.
Nosso consumo:
_40 milhões de bovinos
_30 milhões de suínos – 70% para consumo local - 14 quilos por ano per capta
_4 a 5 bilhões de frangos - 80% para o consumo o local - 42 quilos por ano per capta

Boas!

domingo, 27 de setembro de 2009

Comida de Domingo



Mona Lisa por ©Vik Muniz

Arte pode ser Comida? Comida pode ser Arte?
Versão com Geléia ou Pasta de Amendoim?

Boas!

sábado, 26 de setembro de 2009

Comida e Literatura


"Então ele, o anatomista, foi pelasgo, o primeiro de todos os homens. E Eurinome ensinou-o a se alimentar: a Deusa de Todas as Coisas estendeu-lhe a palma da mão cheia de sementes vermelhas de cláviceps purpúrea. E então ele comeu aquela semente e foi o primeiro dos filhos de Cronos. Deitado de costas na subida do Monte de Todos os Montes, pensou que aquela sim era a vida, a morte não passava de um sonho horrível."
Boas!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cor Ética?


Quando prestar mais atenção nas informações das embalagens dos alimentos que consome diariamente, principalmente os coloridos, você vai encontrar um número: E120. Pois esse número aparentemente inocente se refere indiretamente aos bichinhos da foto acima. Na foto parecem bichinhos bem fofinhos e analisando biologicamente pertencem a classe dos insetos e são classificados na ordem Hemiptera. São parentes bem próximos do pulgão e da cigarra e, trocando em miúdos, são poderosas parasitas que se alimentam da seiva de cactos e plantas, também conhecidos no Brasil como pragas de jardim. São as famosas (?!) Cochonilhas, base para a confecção do corante E120 mais conhecido como Carmim de Cochonilha, são de origem mexicana e usadas para esse fim (corante) desde as civilizações Asteca e Maia. Funciona assim, para se defender do ataque de outros insetos, a cochonilha produz o ácido carmínico que é extraído de seu corpo e ovos e depois dá origem ao corante. Para a produção de algo em torno de 450 gramas do corante são necessários cerca de setentam mil pequenas cochonilhas. UAU! Frequentemente associações de defesa dos animais e principlamente os adeptos do veganismo organizam manisfestações contra o uso do corante e para incentivar o boicote aos produtos que o utilizam, muitos deles conhecidíssimos nossos. Pesquise, tire suas conclusões e faça sua escolha.
Boas!

domingo, 20 de setembro de 2009

Na Raiz


"Diz a tal lenda que, dez séculos atrás apareceu grávida a filha do chefe de uma tribo instalada na região onde fica hoje Santarém, no Pará. O cacique onfendidíssimo exigiu que a filha lhe revelasse o nome de seu parceiro de amor. Mesmo sob ameaça de morte, porém, a jovem permaneceu inflexível. Inclusive jurou ao pai que nenhum homem jamais lhe fizera mal algum. Certa noite num sonho, um homem branco assegurou ao chefe que a filha dissera a verdade - e lhe implorou que não sacrificasse a garota. Impressionado, o cacique poupou a filha. Enfim, depois de completadas nove luas cheias, a jovem pariu uma menina lindíssima, de pele absurdamente alva, a quem chamou de Mani. Em pouco tempo se espalhou a notícia do nascimento de tão formosa e diferente criatura. Até nas nações vizinhas Mani foi adorada como uma enviada dos céus. Um ano depois, Mani já falava e corria precocemente. Todavia morreu de repente, sem dores e sem sintoma de doença. A mãe decidiu enterrá-la em sua própria oca - e como era o costume entre seu povo, diariamente passou a regar a sepultura da criança. Determinada manhã, ao acordar, a jovem descobriu que na cova surgira uma plantinha e por se tratar de um vegetal desconhecido, ninguém ousou arrancá-lo. A planta porém, medrou e produziu frutos, que pássaros comeram até se embriagarem, felizes. Um dia, na oca de Mani, subitamente a terra se fendeu, dela surgindo uma raiz no formato do corpinho de uma criança. Para honrar o fenômeno, os nativos assaram e saborearam a raiz, que se transformou em seu alimento mais querido e mais dileto."
Uma das versões do surgimento de um dos mais brasileiros sabores.
Boas!

sábado, 19 de setembro de 2009

Comida e Música



"comeu feijão com arroz como se fosse o máximo"

Boas!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Higiene e Responsabilidade


Infecções por Estafilococos (esq) e Estreptococos (dir).
Uma cozinha bem cuidada deixa saudade e não arrependimento.
Boas!

domingo, 13 de setembro de 2009

Comida de Domingo


Medusa Marinara - Vik Muniz
Comida pode ser arte? - Arte pode ser comida?
Boas!

sábado, 12 de setembro de 2009

França + Brasil



Com pequena possibilidade da presença de Piere Troisgros, um dos criadores da nouvelle cuisine, uma nova constelação "Michelin" aterrissa em São Paulo em outubro em um evento que promete ser a resposta gastronômica francesa ao midiático Jantar do Século de Ferran Adrià e companhia. Onze chefs franceses se unem para fazer o Jantar das Gerações França-Brasil, no Hyatt, em 26 de outubro. Juntos, somam 21 estrelas - em 2008, foram 23 estrelas, mas um número maior de chefs, 15.
Saiba + na Folha.

Para saborear a imaginação, Le Menu:
Entradas frias:
1. Sylvain Portay - Salada de legumes cozidos à grega e frutos do mar marinados.
2. Mauro Colagreco (uma estrela "Michelin") - Salada de aspargos, molho de iogurte com frutas cítricas e ervas selvagens.
3. Emmanuel Renaut - (duas estrelas "Michelin") Gelée de lagostim, milho e coentro.
Entradas quentes:
4. Marc Meneau (duas estrelas "Michelin") - Cromesquis de foie gras.
Claude Troisgros - Ravióli de batata-baroa, manteiga noisette com pinholi.
Pratos Quentes:
5. Philippe Jousse (duas estrelas "Michelin") - Lagosta assada com ervas.
6. Stéphane Raimbault (duas estrelas "Michelin") - Cappuccino trufado de vieiras e ostras ao champanhe.
7. Gerald Passédat (três estrelas "Michelin") - Robalo Lucie Passédat.
8. Jean Michel Lorain (três estrelas "Michelin") - Robalo ligeiramente defumado com caviar Oscietre.
9. Laurent Tourondel - Pato laqueado ao mel de sete especiarias, melba de foie gras, mostarda de manga e gengibre.
10. Regis Marcon (três estrelas "Michelin") - Couci couca de cordeiro em nougatine de cèpes.
Laurent Suaudeau - Milanesa de Costela, molho de jabuticaba e creme de ervilha.
Sobremesas:
Fabrice Le Nud - Mousseline de chocolate branco e cremoso de framboesa.
11. Christophe Michalak (três estrelas "Michelin") - Profiteroles versão 2009.
Olivier Anquier - Pães

Quem são os 12 "padrinhos" franco-brasileiros:
1. Claude Troigros 2. Laurent Suaudeau 3. Fabrice Le Nud 4. Alain Poletto 5. Pascal Valero 6. Eric Berland 7. Patrick Ferry 8. Christian Formon 9. Emmanuel Bassoleil 10. Roland Villar 11. Laurent Hervé 12. Alain Uzan
Boas!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pérolas aos Poucos

"A predileção portuguesa pelo porco é conhecida e secularíssima. Não há alimento mais elogiado nem material que forneça maior número de pratos. O porco faz a festa. Porco do Natal. Na Espanha, diz Júlio Camba, para la mayoria de nuestros campesinos, el cerdo es como un miembro de la familia que se cria de parigual con los chicos. Os alemães rezam pela mesma cartilha. Antes de 1939, cada alemão consumia anualmente 29,6 quilos de carne de porco. Ich habe Schwein não se traduz eu tenho um porco, mas eu tenho sorte. Um porquinho de marfim é valiosa mascote. Diante de um lombo assado de porco, de um legítimo Schweine Braten, minhotos, alemães e galegos caem em puro êxtase, aliás justificado."
História da Alimentação no Brasil - Câmara Cascudo
Boas!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Comida para Macunaíma


"Por volta de 1940, João Peretti dava-me uma merenda em sua casa de Caxangá, no Recife (516). Serviço de velha porcelana brasonada, cristais da Boêmia, vinhos franceses, conjunto delicado de coisas deliciosas. Estavam presentes D. João de Orleans e Bragança, Públio Dias e Guilherme Áuler, médicos e eu. João Peretti avisou-nos haver um famoso pé-de-moleque, feito com os rigores da tradição pernambucana. O criado, negro, alto, sisudo, obedecia aos olhares e gestos discretos do anfitrião. Bandeja com infinidade de queijos da França, Itália, Holanda, Portugal. Pusemos um pedaço no prato. O telefone toca e Peretti foi atender. O criado, impossível e grave, olhou-nos com surpresa e, sem vacilar, serviu-nos de uma vasta tora do "pé-de-moleque" junto ao mais aristocrático dos queijos franceses. Não compreendia queijo sem mais alguma coisa. Volta Peretti, com seu ar de gentil-homem apressado, e vê nos nossos pratos o queijo e o "pé-de-moleque", hurlaient de se trower ensemble, e ergue lentamente os braços para o alto, num mudo desespero irreprimível.Rimos o resto da tarde. E brasileiramente não dispensamos de comer o queijo com o pé-de-moleque e Bourgogne."
Pequeno trecho do livro História da Alimentação no Brasil de autoria do potiguar Luis da Câmara Cascudo. Brasileiríssimo, operário prolixo no ofício da escrita e extremamente perspicaz na narrativa da história de nosso povo e também desse nosso país de tão difícil compreensão. Apesar de algumas escolhas políticas um tanto duvidosas ao longo da vida, é impossível falar sobre folclore e comida no Brasil sem citar ao menos uma de suas obras. Desconfie sempre de alguém que discorra sobre cozinha brasileira e não cite esse tão tupiniquim cidadão, um cara cujas palavras parecem funcionar como um espelho sempre a nos mostrar nossa verdadeira identidade.
Boas!

sábado, 5 de setembro de 2009

Terroir


Muito se falou e se fala sobre terroir, essa bela palavra francesa rejuvenecida pelos geógrafos da terra de Asterix, que pode transmitir muitas sensações, avançou sobre várias linguas e conquistou um importante lugar no vocabulário de todos que levitam em torno da cozinha e do bar, seja trabalhando ou curtindo. Para achar o significado ao pé da letra, sugiro que vá até a wikipedia e escolha o idioma mais adequado à sua curiosidade ou nos vários sites sobre vinho que temos na rede, principalmente aqueles sobre as regiões demarcadas francesas. Mas hoje tenho uma sugestão para você descobrir e fazer o reconhecimento do seu próprio terroir. Não requer prática nem tampouco habilidade, principalmente porque hoje temos o celular como um prático e rápido captador de imagens. Primeiro escolha uma janela ou porta que tenha o seu visual preferido do quintal ou da paisagem ao seu redor, escolha também um horário do dia que a luz te agrade muito e que você possa estar em casa. Feito isso, você terá que ir todos os dias no decorrer de um ano, até a porta ou janela escolhida e naquele horário determinado bater uma foto e anotar a data, a hora e a temperatura. Ao final dos 365 dias você começará a conhecer o seu terroir, vai poder acompanhar todas as mudanças que acontecem durante as quatro estações ali pela sua janela e conhecer o seu real ambiente. Se continuar ano após ano, construirá um arquivo magnífico, um importante documento. Para ajudar na inspiração assista ao filme Smoke de Wayne Wang, com linda atuação de Harvey Keitel e William Hurt. Experimente!
Boas!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Boa Infomação


Deu no Estadão - Patrica Ferraz:
Às vésperas do lançamento no Brasil de seu livro A Cozinha a Nu, o catalão Santi Santamaria, dono do três estrelas Can Fabes – ex-amigo e atual arqui-inimigo de Ferran Adrià –, reafirma as denúncias que provocaram a polêmica sobre o uso de aditivos químicos na cozinha de vanguarda, mas uniram chefs do mundo todo em apoio a Adrià. Em entrevista por telefone ao Paladar, Santamaria diz que faria tudo de novo e amplia as acusações: "A gastronomia espanhola está sequestrada pela ‘extrema direita culinária’."

O que é extrema direita culinária?
É uma extrema direita de poder. Eles são o establishment, vendem os pós como progresso, quando os pós são uma adulteração da cozinha como fenômeno cultural. Há uma grande ruptura e nós vamos padecer dela. Assim como houve uma bolha econômica que originou a crise, na Espanha temos a bolha gastronômica: abandonamos o ofício, nos dedicamos ao puro marketing e nossos jovens cozinheiros têm a pior formação da Europa.

Que balanço faz da sua vida depois da publicação do livro?
Deixei alguns amigos pelo caminho... Mas há muita gente que me diz "não pare". E pensar que perdi muito tempo me preocupando com os esnobes... Por que nós chefs temos de estar a serviço do esnobismo? Acho que a gastronomia tem de voltar à simplicidade, deixar de ser a arte de aparentar. Pense!
Boas!