
Mecê quer de comer? Tem carne, tem mandioca. Eh, oh, paçoca. Muita pimenta. Sal, tenho não. Tem mais não. Que cheiro bom, bonito, é carne. Tamanduá que eu cacei. Mecê não come?Tamanduá é bom. Tem farinha, rapadura. Cê pode comer tudo, 'manhã eu caço mais, mato veado. 'Manhã mato veado não: carece não. Onça já pegou cavalo de mecê, pulou nele, sangrou na veia-altéia...Bicho grande já morreu mesmo, e ela ainda não largou, tá em riba dele...Quebrou a cabeça do cavalo, rasgou pescoço...Quebrou? Quebroou!...Chupou o sangue todo, comeu um pedação de carne. Depois, carregou cavalo morto, puxou pra beira do mato, puxou na boca. Tapou com folhas. Agora ela tá dormindo, no mato fechado...Pintada começa comendo a bunda, a anca. Suaçurana começa p'lá pá, p'los peitos. Anta, elas duas principeiam p'la barriga: couro é grosso...Mecê 'creditou? Mas suaçurana mata anta não, não é capaz. Pinima mata; pinima é meu parente!...
trecho de Meu Tio o Iauaretê.
João Guimarães Rosa, parabéns pelos 101!
ilustração Roger Mello
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Boas!
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