
Já andei alguns bons quilômetros por ruas periféricas e centrais de várias cidades brasileiras, das mais conturbadas, famosas e lotadas até aquelas mais vazias, calmas e menos conhecidas. E desde muito antes de entender e saber trabalhar numa cozinha e ter estudado outro tanto sobre os perigos da falta de cuidado com a higiene e manipulação de alimentos e até mesmo desde antes de me tornar um trabalhador e ser apresentado ao mundo real como office-boy, já era um viciado em comidinhas de rua. Quando as espinhas ainda purulavam em meu rosto, muito pouca coisa se procurava e se comprava em mercados e os supermercados ainda nem haviam chegado por aqui. Praticamente tudo o que se comia era comprado em feiras, desde as frescas massas caseiras, passando por todas aquelas latas de bolachas até todas as frutas e legumes. E diga-se que nos meus arquivos memoriais, tudo com muita qualidade e sabor. Eu ajudava minha vovó carregando as sacolas ou puxando o carrinho, num misto de obrigação e satisfação. Mas o ponto alto dessas manhãs era o final triunfal, a parada e o descanso na barraca dos deliciosos, cheirosos, bem recheados, suculentos pastéis da Dona Keiko e do Seu Kasuhiro. Meu Deus o que era aquilo, fosse qual fosse o sabor e sempre na companhia daquele maravilhoso vinagrete especial com repolho. Reminiscências... Pois desde então já estacionei em alguma calçada para um churro recheado, um espetinho de camarão, um porquinho (o peixe) bem fritinho e crocante, um pernil na chapa bem acebolado (na porta do estádio), um infantil quebra-queixo, uma colorida maçã do amor, uma saborosa queijadinha, etc, etc, etc. Muito do verdadeiro sabor de povo esta disponível pelas calçadas e esquinas do Brasil e mundo afora, o que é ir a Salvador e não comer um acarajé na rua, ir a João Pessoa e não saborear uma tapioca na feirinha das tapioqueiras, ir a Belém e não tomar um tacacá, em São Luiz seu popularíssimo açaí salgado. E muitos outros sabores e belas surpresas. Não deixe o preconceito atrapalhar suas descobertas, há muita vida além das mesas estabelecidas. A foto é no Afeganistão, e de alguma comidinha que ainda não descobri.
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