
Muitas religiões, tradições, crenças e crendices apreciam e cultivam o fato de se ofecerecer aos mortos algum tipo de alimento, seja ele crú ou cozido, raro ou popular, monocromático ou colorido. Desde os rituais orientais silenciosos com fotos e a fumacinha aromática do senko até os festivos latino americanos do Dia De Los Muertos, a oferta de alimentos é extremamente signicativa e simbólica, e fora o desperdício e alguns exageros, gosto desse papel do alimento como um meio de ligação com um rico passado e como um tipo de satisfação não biológica. Como fotógrafo sempre tive muitos amigos latinos (principalmente peruanos e mexicanos) que fotografavam não só enterros, como pessoas já mortas em cenas que muitas das vezes eram especialmente montadas para o fotógrafo, é muito comum para eles. Nós da américa não espanhola ainda temos uma relação muito difícil com nossas perdas e a aceitação da finitude humana, temos um rancor e um medo que talvez nos consuma mais do que o necessário. Hoje, como cozinheiro e no Dia deFinados, ofereço um alimento que não precisou da minha interferência para ser belo e suculento, ao maior número de comensais possíveis, aos que conheci e admirei e aqueles que infelizmente não tive essa opção. Inclusive os irracionais. Salve Saudade!
Boas!
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